Uma coisa chamou a minha atenção nessa semana, no cenário fedorento da política brasileira.
Vou contar a vocês, com muito carinho, para que todos reflitam:
Você conhece um deputado. Esse deputado é acusado, com provas quase irrefutáveis, de estar guardando dinheiro não declarado à Receita Federal na Suiça, em uma conta bancária, (portanto, sonegando impostos altíssimos).
Ele nega que a conta exista, depois admite que sabia (oi? como é?), e afirma finalmente que não movimenta a conta há anos. Mas a polícia Federal já recebeu informação do governo da Suiça de que a conta foi movimentada, e RECEBEU mais dinheiro (que, muito provavelmente, não foi declarado - lá vem mais sonegação de imposto...).
Olha que lindo, gente...
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/11/1705252-documentos-contrariam-versao-de-cunha-para-dinheiro-na-suica.shtml
Quem quiser duvidar da fonte, fique a vontade. Mas está moralmente intimado a provar o contrário.
Agora olhe pra você. Você é um deputado que teve toda a sua história ligada aos movimentos sindicais e a classe trabalhadora. Você é, vocacionalmente, um líder trabalhista. Não estou falando de esquerda, direita, norte, sul leste, oeste, democrata, republicano, nem qualquer outro rótulo político. Estou falando de vida profissional, de ideal.
Reflita bem: Você passa a vida inteira lutando para que os trabalhadores tenham melhores condições de vida, de que as estruturas sociais sejam moralizadas, porque este é o único caminho para que exista igualdade de distribuição de renda, de oportunidades de educação, acesso a outros serviços essenciais à pessoa humana e, sobretudo, as oportunidades no mercado de trabalho.
De uma hora para outra, você passa a ser oposição ao governo, o que é um direito do parlamentar (ainda que com restrições legais). Tudo bem. Passa a defender o afastamento da presidente da república que apoiou nos últimos anos, o que já soa estranho...
Mas...
Você passa a defender um potencial criminoso somente para afastar o presidente da república? Como assim?
Tô mentindo? Acho que não:
http://jovempan.uol.com.br/programas/jornal-da-manha/minha-estrategia-e-segurar-o-cunha-para-derrubar-dilma-diz-paulinho-da-forca.html
Você torna-se o maior aliado do cara que tá mais sujo do que pau de galinheiro em época de chuva... Vai à cadeia de rádio e TV dizendo-se o paladino da justiça, o moralizador da política brasileira... Desse jeito?
Pois é, meus amigos. Este homem chama-se Paulo Pereira da Silva, o "Paulinho da Força", deputado pelo Partido Solidariedade. Ele é o principal defensor de Eduardo Cunha.
Ele acha que, mesmo com todas as evidências apontando crimes de Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados Federais não deve ser afastado do cargo. Ele só pode sair quando fizer a parte dele na ação de impeachment. Ou seja, até quando Cunha convier a ele e a outros que desejam somente uma coisa: Poder.
Paulo Pereira, você faz muita gente de idiota, mas a mim, não! Cara de pau!
Um abraço,
Do editor
Anderson Melo